ALERTA Exploração de animais silvestres pela indústria da moda pode desencadear nova pandemia

Investigações revelam que os animais são obrigados a viver em águas pútridas em meio a excrementos e cadáveres de outros animais.

A organização em defesa dos direitos animais PETA alertou que a exploração e morte de animais selvagens para atender a indústria de peles pode ser responsável por novas pandemias. A ONG está pedindo a abolição mundial de “fazendas de peles” para evitar o surgimento de novas doenças transmitidas de animais para seres humanos.

A PETA usa como principal exemplo as fazendas de jacarés, muito comuns em países asiáticos, onde os animais são mantidos de forma confinada, superlotada e sem qualquer higiene. Investigações revelam que os animais são obrigados a viver em águas pútridas em meio a excrementos e cadáveres de outros animais.

Segundo a organização “isso cria um terreno fértil potencialmente sério para o surgimento de muito patógenos zoonóticos (agentes causadores de doenças que podem se espalhar de outros animais para o ser humano), incluindo salmonela, vibrio, Aeromonas spp.Pseudomonas spp.E. coli , trichinella, vírus do Nilo Ocidental e outros – todos os quais crocodilianos transportam e potencialmente transmitem aos seres humanos”.

A PETA afirma ainda que a visão de uma fazenda de crocodilos no Vietname é uma “reminiscência dos mercados onde os cientistas acreditam que o novo coronavírus se originou. Pesquisadores acreditam que o coronavírus tenha se originado em um mercado húmido – onde animais, principalmente espécies silvestres, são mortos e vendidos- em Wuhan, na China.

Fonte: ANDA

ALERTA Desmatamento tem relação directa com pandemias

Animais silvestres, seja por caça, comércio ou perda de habitat, entraram em contacto com os humanos, passando doenças que antes estavam restritas à selva

Artigo publicado pelo Fórum Económico Mundial diz que as pandemias, cada vez mais comuns e devastadoras, se devem à destruição das florestas fazendo escapar vírus e doenças que antes não alcançavam as populações humanas. Segundo pesquisa, 31% dos 12.012 surtos em todo mundo entre os anos de 1980 e 2013 estão ligados directamente a ambientes que foram devastados.

O cálculo é que 65% das doenças que surgiram nas últimas quatro décadas vieram de animais silvestres, seja por caça, comércio ou perda de habitat, que entraram em contacto com as pessoas passando doenças que antes estavam restritas à selva. Os cientistas dizem que foi assim com o ébola, zika, Aids e agora com o coronavírus cuja origem mais aceita é que tenha surgido no mercado de Wuhan, na China, que comercializava animais (vivos ou mortos) como morcegos, cobras, civetas, entre outros animais silvestres.

Segundo dados da ONG Renctas, o tráfico de animais silvestres movimenta cerca de US$ 10 a 20 biliões (entre R$ 52 e R$ 104 bi) em todo o mundo, colocando esse comércio ilegal na posição de terceira maior actividade ilícita do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. E o Brasil participa com 15% desse valor, aproximadamente US$ 900 milhões (cerca de R$ 4,7 bi).

Os especialistas têm insistido  que variações climáticas, devastação de habitats, expansão de cultivos, estradas e garimpos em meio a florestas funcionam como gatilhos para surtos viróticos. A mudança no padrão de migração das aves pode ter sido responsável pelos casos de gripe aviária na Ásia. Patos selvagens, que são reservatórios do vírus, por exemplo, tiveram que abdicar de lagos naturais dominados pelos humanos e acabaram pousando em granjas passando a doença para aves domesticadas ou criadas para consumo. As informações são do UOL.

Fonte: ANDA

ALERTA Cerca de 900 mil pinguins-rei desapareceram do mundo

Uma das principais explicações para o desaparecimento das aves é que elas migraram pela rota marítima e não voltaram para a sua ilha de origem

Pesquisadores estão querendo entender o que causou o desaparecimento de 900 mil pinguins-rei da ilha vulcânica Île Aux Cochons, que fica localizada entre Madagascar e a Antárctica. Os profissionais realizaram uma expedição no local com o intuito de descobrir o que aconteceu. No entanto, nenhuma das hipóteses que haviam sido levantadas foi comprovada.

A expedição foi realizada no final de 2019 e garantiu a descoberta de diversos espaços vazios na ilha, que até então, segundo a revista Science, era a maior agregação da espécie do mundo nos últimos anos e a segunda maior colônia entre todas as 18 espécies de pinguins. Segundo os cientistas, uma das principais explicações para o súbito desaparecimento dos animais é que eles migraram pela rota marítima e não voltaram para a sua ilha de origem. O que leva a crer que foi dessa forma que a colónia foi dispersada, já que os animais não foram localizados em ilhas próximas.

No entanto, apesar da possível explicação, o mistério aumenta quando se coloca em evidência as características da espécie, já que normalmente os pinguins-rei são fieis ao local de nascimento e de primeira reprodução.

Durante a expedição, os cientistas instalaram na ilha armadilhas e câmaras de visão nocturna para procurar gatos e ratos, conhecidos por se alimentarem de ovos de filhotes de aves marinhas. Os pesquisadores também colectaram amostras de sangue de pinguim e desenterram os ossos de alguns para identificar doenças ou mesmo mudanças na dieta que poderiam sugerir alguma pista, no entanto nada foi identificado.

Sem qualquer evidência de erupção vulcânica ou tsunami, o desaparecimento causado por algum desastre ambiental também foi descartado. O facto é que muitos dados ainda precisam ser processados para que se saiba o que de facto ocorreu com as aves.

Fonte: ANDA

ALERTA Pesquisadores esperam mudança dramática no Árctico como consequência da crise climática

Menos gelo marinho, derretimento de neve e aumento de gases de efeito estufa são alguns dos efeitos já observados


Morsa em pequena plataforma de gelo mostra o desastre ambiental que o planeta enfrenta.

O século XXI será marcado por catástrofes produzidas pelas pessoas. O primeiro sinal de desordem tem surgido no Árctico, que está esquentando de uma forma mais rápida que o resto do mundo. Especialistas analisaram as temperaturas da água, níveis de gelo do mar e padrões de vida selvagem da plataforma marinha de Bering e Chukchi, localizada entre o Alasca e a Rússia, e concluíram que haverá uma mudança drástica, colocando em risco espécies marinhas e terrestres.

O estudo constatou que o aquecimento do Árctico tem resultado em menos gelo marinho, derretimento precoce da neve e derretimento do “permafrost” que libera gases do efeito estufa. Essa análise, focada entre os anos de 2017 e 2019, mostra que está por vir uma “mudança repentina e dramática” com consequências irreversíveis.

Devido a essas mudanças ambientais, as focas não estão se reproduzindo nas áreas de costume e outros animais marinhos estão morrendo em grande número. Henry Huntington, principal autor do estudo, disse ao site Daily Mail: “A taxa de mudança no período do estudo foi chocante. Ter uma equipe com a experiência necessária para reunir as peças em todo o ecossistema, simplesmente mostra como as mudanças são profundas e o quanto elas importam”.

A equipe descobriu que o recuo do gelo da primavera tem ocorrido mais cedo do que o normal nos últimos anos. E a falta de gelo e temperaturas quentes começaram a afectar drasticamente a vida selvagem que vive na região. O número de aves marinhas, por exemplo, diminuiu de 2017 a 2019.

“O que acontece nos mares do norte de Bering e Chukchi pode ser uma antecipação do que pode ser esperado em outros lugares e oceanos do mundo nos próximos anos e décadas”, afirmou Huntington.

O pesquisador da Universidade do Alasca Fairbanks, Seth Danielson, que também participou do estudo, descreveu as mudanças como um alerta: “Muitas vezes, quando reorganizações ecológicas significativas acontecem, só podemos tentar juntar a história depois do facto. Nesse caso, tivemos a oportunidade incomum de conhecer as mudanças enquanto elas estavam acontecendo, para podermos documentar propositadamente o processo à medida que ele se desenrolava”.

Fonte: ANDA

ALERTA Leões podem estar extintos até 2031 com um declínio de 97% da espécie

Já extintos em 26 países africanos, e com apenas 20 mil representantes remanescentes na natureza os reis da selva estão ainda resistindo, mas caso a velocidade e o volume de mortes não diminua a espécie não resistirá aos próximos 11 anos
Foto: Divulgação

Não é segredo que as populações de leões estão em declínio. Apenas no século passado, a população da espécie na África diminuiu quase 97%, muitos relatórios sugeriram que os leões selvagens poderiam ser extintos até 2020.

Na realidade, os leões já estão extintos em 26 países africanos, mas enquanto as espécies podem ter sobrevivido até um prazo iminente, com apenas 20 mil representantes remanescentes na natureza, a ONG internacional de protecção à vida selvagem, Born Free, está pedindo ao público que ajude a mudar essas estatísticas. Se o declínio das populações dos felinos continuar na mesma proporção e velocidade, os leões poderão ser extintos até 2031, alerta a entidade.

Mas nem tudo é desgraça, como parte de sua Campanha Últimos Leões de Meru, a Born Free está destacando como o apoio aos esforços de conservação pode fazer a diferença e nos salvar de um mundo sem os Reis da selva. Lar da famosa Elsa (a leoa cuja história foi contada no livro e filme originais da Born Free) o Parque Nacional Meru, onde ela morava, foi tragicamente dizimado por caçadores na década de 1980. Nos anos 2000, foram feitos esforços conjuntos para trazer novamente vida selvagem ao parque e tornar sua gestão efetiva. Em 2014, a Born Free, trabalhando ao lado do Kenya Wildlife Service (Serviço de Vida Selvagem do Quênia), lançou sua iniciativa “Pride of Meru” para revitalizar ainda mais o parque, agora não é apenas o lar de uma população estável de 60 a 80 leões, mas também uma série de outros animais selvagens, incluindo 35 mamíferos, 400 aves e 40 espécies de répteis.

Foto: Pinterest

O parque Meru ainda tem um longo caminho a percorrer, mas a Born Free procura aumentar a protecção, o monitoramento e o rastreamento da população de leões, além de expandir seu trabalho de conservação em toda a área protegida de Meru e “reacender” todo o ecossistema para que outras espécies possam florescer mais uma vez.

Will Travers OBE, presidente e co-fundador da Born Free, disse em um comunicado: “Nosso trabalho no Parque Nacional Meru é um exemplo maravilhoso de quão resiliente nosso mundo pode ser e de como a natureza se recuperará se todos trabalharmos juntos. Uma vez que a caça no parque foi controlada, a vida selvagem foi capaz de se restabelecer nos diversos habitats encontrados nesta área protegida única. Ao implementar nosso projecto de monitoramento de leões, trabalhando com comunidades locais e escolas próximas ao parque, educando e capacitando as pessoas e destacando a importância da conservação da vida selvagem, fomos capazes de incentivar a coexistência e promover meios de subsistência mais sustentáveis, que funcionem para as comunidades locais que vivem em torno de Meru e sua vida selvagem”.

“Mas este é apenas o primeiro passo. Nosso plano, baseado no sucesso de nosso trabalho de protecção e na próspera vida selvagem de Meru, é expandir nossos esforços em toda a Área de Conservação de Meru, abrangendo mais de 4.000 km2, incluindo o Parque Nacional Kora e as reservas nacionais de Bisinadi e Mwingi”.

Foto: Pinterest

“Começando com Meru, devemos redobrar nossos esforços para salvar e proteger os leões da África agora mais do que nunca – um mundo sem eles é simplesmente inimaginável”.

Virginia McKenna OBE, atriz e cofundadora de Born Free, acrescentou:

“É difícil acreditar que se passaram 56 anos desde que cheguei ao Quénia com meu marido Bill e nossa jovem família para filmar Born Free. Mal sabíamos que nossas vidas seriam mudadas para sempre pela história única e inspiradora de Elsa, a leoa, a incrível compaixão de George e Joy Adamson e os laços que formamos com alguns dos leões com quem trabalhamos no filme”.

“Naquela época, Meru era famoso por sua fauna abundante e, dizem alguns, até rivalizava com a famosa reserva de Maasai Mara. No entanto, tragicamente, na década de 1980, Meru foi invadida por caçadores e sua vida selvagem foi dizimada. Mas hoje Meru está revivendo”.

“Na Born Free, queremos um mundo em que os leões vaguem livremente, a salvo de caçadores e conflitos entre humanos e animais selvagens. Onde as pessoas ao redor do parque e a vida selvagem dentro dele possam coexistir pacificamente. Onde a natureza prospere”.

“Estou pedindo às pessoas que compartilham nossa visão que se juntem a nós e ajudem a garantir um futuro para os leões selvagens”.

Fonte: ANDA

ALERTA Populações de leões caem pela metade nos últimos 25 anos

Ameaçados por caças ao troféu, criados em cativeiro para venda, vítimas do tráfico internacional de partes de seus corpos para utilização na medicina chinesa, esses animais correm risco de extinção

Foto: Suzi Eszterhas

O recente lançamento de um livro atraiu atenção para a situação das populações de leões na savana africana. A publicação adverte que o rei da selva pode ser deposto e desaparecer da natureza para sempre, a menos que sejam tomadas medidas urgentes para interromper a extinção desse belíssimo animal.

O alerta vem de fotógrafos da vida selvagem que capturaram mais de 70 imagens dos animais majestosos em parques e reservas nacionais no Quénia, Tanzânia e África do Sul.

“Remembering Lions” (Recordações dos leões, na tradução livre) foi idealizado pela fotógrafa britânica Margot Raggett e tem como objectivo arrecadar dinheiro e conscientizar o público da necessidade de proteger a espécie.

Foto: Marlon du Toit

Uma foto mostra 10 jovens leões desesperados por comida depois de perderem seus protetores adultos do sexo masculino. O leão mais famoso da África, batizado de Scar (Cicatriz) faz pose em outra imagem e um momento de ternura entre leoa e filhote é pego em uma terceira fotografia.

E na mesma reserva, Maasai Mara do Quénia, um filhote conhece seu pai pela primeira vez.

O número de leões diminuiu pela metade em 25 anos, restando 20 mil representantes da espécie na África e um pequeno grupo na Índia. Margot disse: “A redução rápida é uma das histórias menos conhecidas em conservação, porque a morte desses animais acontece fora da vista. Caçadas e criação em cativeiro podem ter impactos catastróficos nas populações de leões”.

Foto: Margot Raggett

Jonathan Scott, zoólogo e apresentador do Big Cat Live da BBC1, acrescentou: “Não pode haver desculpas, apenas vergonha se permitirmos que o grande e mais icónico felino desaparecer do nosso planeta”.

“Precisamos agir agora para que as gerações futuras possam apreciar o som de leões selvagens rugindo ao amanhecer”.

Ameaças e fazendas de criação em cativeiro

Perseguidos e mortos por partes de seus corpos, caçados por troféus, criados para serem vendidos e explorados pela indústria do turismo, os leões enfrentam ameaças sérias à sua sobrevivência.

O leão enfrenta muitas ameaças à sua sobrevivência, uma delas é o crescimento da presença humana em habitats selvagens, que causa o aumento da urbanização e em consequência disso, o número de animais selvagens diminui.

Foto: Chad Cocking

As “caçadas enlatadas”, vendidas como entretenimento para caçadores de troféus que pagam fortunas pela oportunidade de matar um leão, representam outra ameaça grave à espécie.

Movidas pelas possibilidade de lucro, fazendas de criação de leão tem surgido e se espalhado por toda a África do Sul. Nesses verdadeiros antros de crueldade os animais são forçados a se reproduzir, muitas vezes entre irmãos, com o risco de causar endogamia, ocasionando o nascimento de animais com defeitos congénitos sérios e irreversíveis.

Além de serem vendidos para caçadas cruéis onde o único destino possível é a morte, os leões mantidos nessas instalações muitas vezes são explorados pela indústria do turismo, que cobra valores dos visitantes ávidos por fotos, em troca da “oportunidade” de poder acariciar ou dar mamadeira a um filhote de leão.

Apesar da caça de grandes felinos ser proibida no país, a África do Sul permite a exportação de esqueletos provenientes de cativeiros | Foto: WAP
Apesar da caça de grandes felinos ser proibida no país, a África do Sul permite a exportação de esqueletos provenientes de cativeiros

O tráfico de partes de leão (ossos, pele, garras, cabeça) e a venda de animais também movimenta um mercado ativo e cuja demanda estimula a criação, caça e morte dos grandes felinos.

Embora o comércio internacional de partes de corpos de leões seja proibido pela CITES, a África do Sul tem permissão para estabelecer sua própria cota de exportação para leões cativos, cujos ossos são indistinguíveis de indivíduos selvagens. Quase duplicando desde 2017. Ano passado o governo aprovou uma cota de exportação de 1.500 esqueletos de leão em cativeiro.

A actual situação do leão, é a de uma espécie ameaçada de extinção, medidas urgentes precisam ser tomadas para a preservação da espécie, tanto pelo governo da África do Sul em prol da conservação e inibição de actividades que ameacem a sobrevivência da espécie, como as fazendas de criação e caçadas por troféus e a exportação de partes do corpo do animal, quanto pelos demais países que contribuem para que os números das populações do grande felino declinem, com o Reino Unido e os Estados Unidos como campeões de importação de troféus.

Dados sobre os leões

Os leões foram extintos em 12 países nas últimas décadas e agora ocupam apenas 8% do seu alcance histórico.

Foto: World Animal Protection

Na maioria das áreas onde eles são encontrados, as populações selvagens caíram cerca de 60% em pouco mais de 20 anos. Populações na África Ocidental são classificadas como Criticamente Ameaçadas.

Cerca de 20 mil leões permanecem em estado selvagem, em toda a África.

Desde 2008, 6 mil esqueletos de leões foram enviados para o leste da Ásia do Sudeste, provavelmente derivado de instalações de reprodução em cativeiro.

Em 2017, os EUA importaram mais de 230 troféus de leão, incluindo crânios, ossos, pele e garras (no Reino Unido, 20).

Cerca de 84% das instalações de leões em cativeiro na África do Sul estão envolvidas na venda de leões vivos e 72% venderam intencionalmente partes de corpos de leões.

Foto: Getty

Fonte: ANDA

ALERTA Relatório revela que mais de 28 mil espécies estão ameaçadas de extinção

Foto: Sonja Wolters/WAPCA/IUCN

Do topo das árvores às profundezas dos oceanos, a destruição da vida selvagem pela humanidade continua a levar muitas espécies à extinção, é o que revela a última “lista vermelha” da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) ressaltando que um terço de todas as espécies avaliadas está sob ameaça.

A destruição de habitats e a caça de animais selvagens agora levaram sete espécies de primatas a entrar em declínio, enquanto a pesca levou duas famílias de extraordinários arraias à beira do abismo.

Poluição, barragens e excesso de captação de água doce são responsáveis por graves quedas na vida selvagem fluvial do México ao Japão, enquanto a extracção de madeira está devastando o pau-rosa-de-madagascar e a doença está dizimando o olmo americano.

A lista vermelha, realizada pela IUCN, é a avaliação mais respeitada do status das espécies. A lista publicada na quinta-feira acrescenta quase 9 mil novas espécies, elevando o total para 105.732, embora esta seja uma fracção dos milhões de espécies que se imagina viver na Terra. Nem uma única espécie foi registada como tendo melhorado seu status.

Foto: Matt Potenski/IUCN

Um exame de referência da saúde do planeta publicado em maio já havia concluído que a civilização humana estava em perigo pelo declínio acelerado dos sistemas naturais de suporte à vida da Terra. As populações de animais silvestres despencaram 60% desde 1970 e as extinções de plantas estão ocorrendo a uma taxa “assustadora”, segundo os cientistas.

“A natureza declinando a taxas sem precedentes na história da humanidade”, disse Jane Smart, directora do grupo de conservação da biodiversidade da IUCN. Ela acrescentou que medidas decisivas são necessárias para deter o declínio, com a cúpula da convenção de biodiversidade da ONU no próximo ano na China como evento crucial para tomada de acções.

A lista vermelha destaca a situação dos peixes-espada e dos gigantes peixes-viola ou peixes-guitarra, eles são agora as famílias de peixes marinhos mais ameaçadas do mundo, com todas menos uma das 16 espécies criticamente ameaçadas – o que significa que elas estão a um passo da extinção.

A pesca intensificada e não regulamentada é a culpada, com as arraias geralmente capturadas “não intencionalmente”, sendo o alvo da pesca outra espécie.

Entre as sete espécies de primatas que estão mais perto da extinção, seis estão na África Ocidental, onde o desmatamento e a caça por carne são abundantes.

Actualmente, restam apenas 2 mil macacos-roloway (Cercopithecus roloway) na Costa do Marfim e em Gana, o que significa que sua população é precariamente pequena. Seu tamanho corporal relativamente grande e o valor de sua carne e pele fizeram deles um dos alvos preferidos dos caçadores.

Foto: Chong Chen/IUCN

A busca incansável da humanidade por água doce, particularmente para a agricultura, está tendo um impacto especialmente grande sobre a vida selvagem dos rios e dos lagos.

A atualização da lista vermelha revela que mais da metade dos peixes de água doce no Japão e mais de um terço no México estão agora ameaçados de extinção. Pesquisas recentes descobriram que dois terços dos grandes rios do mundo não fluem mais livremente.

“A perda dessas espécies de peixes de água doce poderia ter efeitos secundários em ecossistemas inteiros”, disse William Darwall, chefe da unidade de biodiversidade de água doce da IUCN.

A atualização da lista vermelha também incluiu 500 espécies de peixes ósseos de profundidade, como peixes-lanterna bioluminescentes, que enfrentam ameaças potenciais pela pesca profunda, perfuração de petróleo e gás e mineração no fundo do mar. O caracol é o primeiro molusco que vive nas fontes hidrotermais profundas a ser adicionado à lista e é avaliado como ameaçado de extinção.

A IUCN tem novas avaliações para a maioria das árvores da floresta seca em Madagascar, incluindo 23 espécies de jacarandá e palissandro, e descobre que 90% estão ameaçadas. Sua madeira é valorizada na construção de móveis e é o produto selvagem ilegal mais traficado do mundo. O olmo americano entrou na lista vermelha pela primeira vez como ameaçado. A árvore, que já foi comum, diminuiu ao longo de décadas devido a um patógeno fúngico invasivo, doença dos olmos holandeses.

“As doenças invasivas, juntamente com a poluição do ar e a mudança climática, dizimaram populações numerosas de espécies de árvores norte-americanas que antes ofereciam alimentos abundantes para a fauna nativa, assim como a beleza paisagem”, disse Healy Hamilton, da NatureServe, uma rede de cientistas da biodiversidade.

Os fungos são uma presença crescente na lista, com a atualização revelando que pelo menos 15 espécies que crescem tradicionalmente no campo de muitos países europeus estão agora ameaçadas de extinção. O fungo red waxcap (Hygrocybe coccínea), encontrado no Reino Unido e na Alemanha, é aquele que mais sofreu com as pastagens semi-naturais sendo convertidas em agricultura intensiva.

Outras espécies adicionadas incluem o rato-de-vidoeiro-húngaro (Sicista trizona), agora extinto em 98% comparado a sua antiga variedade devido à agricultura intensiva, e o sapo-de-poça do Lago Oku (Xenopus longipes), antes o sapo mais abundante no Lago Oku nos Camarões mas possivelmente extinto devido a um fungo devastador que tem amatado anfíbios em todo o mundo.

“A perda de espécies e a mudança climática são os dois grandes desafios que a humanidade enfrenta neste século”, disse Lee Hannah, da Conservation International. A lista vermelha aborda ambos, disse ele, ao incluir a ameaça do aquecimento global na avaliação do risco de extinção. “Os resultados são claros, devemos agir agora em ambos.”

Fonte: ANDA