CONTEÚDO ANDA África do Sul autoriza exportação de 800 esqueletos de leões

A África do Sul despertou a indignação de ativistas após aprovar a exportação de centenas de esqueletos de leões criados, principalmente para atender a demanda por ossos em partes da Ásia. Esta ação cruel e completamente irresponsável apoiará a doentia indústria da caça enlatada doentia na região

O país possui cerca de 200 fazendas que exploram os leões, onde milhares deles são criados apenas para serem mortos por caçadores de “troféus” todos os anos.

Leão ao ar livre

A controvérsia começou no início do ano, quando a África do Sul anunciou que pensava em permitir a exportação de 800 esqueletos de leões que morreram naturalmente, tiveram a morte induzida ou foram mortos por caçadores, segundo o Care2.

O anúncio gerou uma oposição global e há o temor de que isso prejudicaria seriamente os recentes sucessos em proteger os leões na natureza, incluindo uma proibição dos EUA de importar “troféus” de vítimas da caça enlatada na África do Sul e uma votação da CITES CoP17 que proíbe a maior parte do comércio comercial.

Ainda assim, o país ignorou tudo isso e alega que isso é uma medida de proteção. No anúncio, o Departamento de Assuntos Ambientais (DEA) disse que o país “reitera sua preocupação de que, se o comércio de ossos originários de leões criados em cativeiro for proibido, os leões podem ser obtidos ilegalmente nas populações selvagens”.

Não há dúvidas de que os leões africanos, cuja população teve uma queda de aproximadamente 200 mil animais em todo o continente para cerca de 20 mil atualmente, enfrentam uma crescente ameaça de extinção na natureza.

Enquanto algumas pessoas insistem em argumentar que esta indústria retirará a pressão dos animais selvagens, muitas não concordam.

Os ativistas receiam que as exportações possam alimentar a demanda por ossos da espécie e causem um aumento da caça por aqueles que desejam lucrar com esse comércio.

“Não há um fragmento de evidência científica mostrando que a caça enlatada e as exportações legalizadas de ossos de leão diminuem a pressão da caça sobre as populações de leões selvagens. É cada vez mais claro que essas práticas estimulam a demanda por partes de leões, leoas e tigres selvagens em todo o mundo”, disse Luke Hunter, presidente e diretor do grupo de proteção Panthera.

“O mandato da CITES de limitar as exportações de esqueletos de leões confinados na África do Sul foi um passo na direção adequada. Com a pressão global sobre o governo para proibir a caça enlatada, podemos logo ver o fim desta indústria repreensível”, acrescentou.

O DEA alegou que a “mudança permitirá o monitoramento questões conectadas ao comércio e como isso afeta as populações selvagens”.

Um estudo também foi divulgado pelo Instituto Nacional de Biodiversidade da África do Sul (SANBI) para uma melhor compreensão do comércio de ossos de leões e a indústria de criação em cativeiro. Há a expectativa de que o documento ajude a acabar com esse comércio e o confinamento dos animais.

“A cota proposta pelo governo de 800 esqueletos de leões para exportação legalizada não tem fundamento na ciência”, ressaltou Paul Funston, diretor sênior do Programa de Leões da Panthera.

“É irresponsável estabelecer políticas que aumentar a ameaça sobre leões selvagens – já em declínio em grande parte da África – quando os fatos são claros. A indústria de criação de leões da África do Sul não contribui de forma positiva para a proteção de leões e, de fato, os põe em perigo”, concluiu.

Fonte: ANDA

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