ACTIVISMO Dois jovens chineses lutam pela protecção dos elefantes

Zhang Chaodao e Huang Hongxiang dedicam suas vidas a expor o sofrimento pelo qual passam esses animais e ambos deixaram sua marca na defesa desses gigantes ameaçados de extinção

Foto: VCG Photo/Reprodução

Dois jovens chineses abraçaram a missão de proteger os elefantes. Um deles é Zhang Chaodao, diretor de Black Elephant, um documentário de 9 minutos que revela o treinamento e tratamento desumanos que sofrem elefantes na Tailândia. Zhang conta que nunca vai esquecer a visão e os sons que experimentou durante um encontro no país.

“De repente, o elefante não queria mais obedecer”, disse ele. “O mahout (treinador de elefantes) novamente usou seu ankus (ferramenta de metal em forma de gancho) para dominá-lo. Então ouvimos o som da pele do animal sendo dilacerada pelo instrumento de tortura. Nesse momento o elefante subitamente começou a enlouquecer. Ele fazia um som que nunca poderíamos imaginar em nossas vidas.”

Segundo Zhang a Tailândia é o destino turístico mais procurado pelo povo chinês. “Muitos chineses vão para lá todos os anos, e em suas listas de atracções, a primeira coisa é montar elefantes ou assistir a um show de elefantes. Gostaria que mais chineses soubessem o que acontece de verdade com esses animais”, diz ele

O documentário produzido por Zhang já foi assistido online milhões de vezes desde seu lançamento em 2017. Ele pede aos turistas que parem de montar e assistir a shows com elefantes, em vez disso, se quiserem realmente ver esses animais que vão a santuários. É preciso consciencialização para fazer viagens com mais responsabilidade.

“Como consumidor, você muda o que compra, tem o poder da escolha, com essa mudança, você também muda o sistema pouco a pouco”, disse ele.

Em 2017, três agências de viagens chinesas anunciaram que deixariam de vender pacotes de passeio de elefante e shows com performances desses animais.

Enquanto Zhang exorta os consumidores chineses a usar seu poder para aumentar o bem-estar dos elefantes, Huang Hongxiang, outro jovem chinês, colocou sua vida em grande perigo, indo disfarçado para a África na intenção de expor os traficantes de marfim.

Foto: VCG Photo/Reprodução

Huang Hongxiang, é activista pela protecção da vida selvagem, ele se envolveu em uma investigação secreta para expor o crime de tráfico que tem levado a morte centenas de elefantes. “Muitas vezes eu uso uma câmara escondida, e se certas pessoas me encontrassem com isso, eu estaria em sérios problemas”

Huang foi destaque no documentário de 2016 The Ivory Game. Ele fingiu ser um comprador de marfim chinês e enganou um comerciante de Uganda, levando-o direto para uma armadilha policial.

“Quando a polícia apareceu, eu era a pessoa mais próxima desse criminoso. Então, quem sabe o que poderia acontecer? Quem sabe se ele tinha uma arma ou uma faca, ou o que ele poderia fazer”, disse ele.

Foto: VCG Photo/Reprodução

O documentário trouxe muita exposição a Huang, o que significa que ele nunca mais vai poder se disfarçar, muitos sabem quem ele é. Mas o activista disse que há uma razão para ter ido a público.

Huang disse: “Há um milhão de pessoas na China que poderiam fazer o mesmo que eu. Mas por que até agora relativamente poucos chineses fazem esse tipo de coisa ou assumem um papel em defesa da vida selvagem? Por que quando você vai visitar uma ONG internacional de conservação da vida selvagem você vê muitos brancos e negros, alguns sul-americanos, mas você não vê muitos chineses?”.

A China proibiu todo o comércio de marfim e actividades ligadas a utilização do material no final de 2017. O ato foi saudado como um passo gigantesco para salvar os elefantes da extinção.

Huang e Zhang compartilham a mesma missão e mandam a mesma mensagem: Proteja os elefantes e deixe-os viver livremente.

Fonte: ANDA


Nota: Correcção dos erros para português correcto(sem acordo ortográfico).

Anúncios