Único militar entre ativistas angolanos denuncia condições na prisão e ameaça suicidar-se

Osvaldo Caholo, o único militar entre os 17 ativistas angolanos que foram condenados na segunda-feira, escreveu uma carta em que denuncia as más condições a que estão sujeitos os reclusos na cadeia de Calomboloca. O militar termina a missiva dizendo que vai suicidar-se nos próximos dias

 

Osvaldo Caholo, o único militar entre os 17 ativistas angolanos que foram condenados na segunda-feira passada a penas que variam entre os dois e os oito anos de prisão, escreveu uma carta a denunciar as condições a que estão sujeitos os reclusos na cadeia de Calomboloca. Na missiva, divulgada por meios de comunicação como o “Rede Angola” e a “Voz da América” (VOA), o militar ameaça mesmo suicidar-se.

“Falta de água, falta de meios de higiene, água para consumo adquirida das sanitas, necessidades fisiológicas colocadas em sacos de plástico, falta de assistência médica e medicamentos, falta de atividades para os reclusos, o que tem causado muitas contendas entre eles, falta de banhos de sol”. São estas algumas das denúncias feitas por Osvaldo Caholo, que foi considerado culpado, assim como os outros 16 ativistas, dos crimes de “atos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores”. O militar refere ainda que as autoridades têm definido as visitas “a seu bel-prazer” e que as refeições não têm sido dadas a horas adequadas (entre as 11h e as 12h é servido o pequeno-almoço e entre as 17h e as 18h o jantar).

Estas e outras condições terão levado Osvaldo Caholo a iniciar uma greve de fome, como o próprio refere. “Pela falta destas e outras condições exigidas para viver, no dia que fui conduzido a este estabelecimento prisional, tendo constatado estas dificuldades, iniciei uma greve de fome”. O militar termina dizendo que “nos próximos dias” vai pôr termo à sua vida. “Nos próximos dias vou pôr termo à minha vida, em nome da fraqueza… e respeito pela dignidade humana”.

Segundo o “Rede Angola”, também o professor universitário Domingos da Cruz, cujo manual “Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar Nova Ditadura” esteve na origem das detenções, tem vivido em condições decrépitas – só na sua cela vivem mais de 50 reclusos. Foi ele quem, dos 17 ativistas, apanhou a pena mais pesada, superior a oito anos. Nuno Dala, professor e investigador, está em greve de fome desde 10 de março.

Em Portugal, o Parlamento chumbou as propostas do PS e BE de condenação da situação dos ativistas angolanos, sentenciados a penas de prisão efetiva. PSD, CDS e PCP votaram contra, alegando que é preciso respeitar a soberania angolana.

Fonte: Expresso

 

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17 presos políticos em Angola. Cada vez mais acho…

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Cada vez mais acho, que temos de agir pelos 17 presos políticos em Angola, como agimos por Timor Leste. Cada vez mais acho que temos de repetir o que fizemos por Timor Leste, exactamente da mesma maneira. Temos de o repetir para conseguirmos a libertação dos 17 presos políticos. Temos de o repetir pelos direitos-humanos em Angola, pela liberdade em Angola.

Recordo que por Timor Leste, mobilizamos milhares e milhares de pessoas nas ruas em simultâneo, um pouco por todo o país, e que levou que muitas outras cidades, em  muitos outros países do mundo, se mobilizassem da mesma maneira. E acho que devemos repeti-lo.

Temos de ir em socorro dos 17 presos políticos em Angola, tal como fizemos por Timor Leste. 

Ontem por Timor Leste. Hoje, pelos 17 presos políticos em Angola. Por Angola. Pelos direitos-humanos em Angola!

Mário Amorim

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Bancada do Bloco solidária com presos políticos em Angola

O arranque da nova sessão parlamentar ficou marcado por uma ação de solidariedade dos deputados do Bloco com Luaty Beirão e os restantes 16 presos políticos em Angola.

Os 19 deputados do Bloco juntaram-se para uma ação de solidariedade com os presos políticos angolanos no primeiro dia do seu mandato.

Os 19 deputados bloquistas vestiram t-shirts com as caras dos 17 ativistas presos em Angola, pedindo “Liberdade Já” para Luaty Beirão e companheiros.

“Decidimos neste dia de tomada de posse na AR lembrar os presos políticos em Angola”, explicou Catarina Martins. “Se a situação de Luaty Beirão nos preocupa, defendemos cada um dos presos políticos em Angola e lembramos que há presos políticos que não são luso-angolanos, são só angolanos, que estão a a ser torturados pela polícia”, acrescentou a porta-voz do Bloco.

“Quem no nosso país calar o que está a acontecer em Angola com estes 17 ativistas pela liberdade é cúmplice do atentado aos direitos humanos e do desfecho que esta situação possa ter. No nosso país ninguém pode ficar calado. O silêncio é cúmplice”, prosseguiu Catarina Martins.

“Quem em Portugal sabe do valor da democracia, quem sabe como se lutou pela liberdade de expressão, não pode, quando toma posse a Assembleia da República que é símbolo maior dessa democracia, ficar calado quando em Angola há 17 presos políticos cujo crime foi estarem a ler um livro”, defendeu a porta-voz bloquista.

“Levamos a liberdade muito a sério. Levamos os direitos humanos muito a sério. E queremos a libertação imediata dos 17 presos políticos em Angola e que muito rapidamente se saiba das condições de todos estes presos, porque sabemos da tortura e da violência a que estão a ser sujeitos”, concluiu.

Em Angola, os advogados dos detidos insistiram junto do Presidente do Tribunal Supremo por ainda não terem recebido resposta ao pedido de habeas corpus entregue há 21 dias. Os requerentes dizer verificar “com perplexidade” que essa garantia consagrada constitucionalmente – e que que em muitos países tem de ser decidida num prazo de oito dias – não teve ainda resposta da justiça angolana.

Fonte: Esquerda.net

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