BE: Ir ao congresso do MPLA revela “transigência” com governação angolana

BE: Ir ao congresso do MPLA revela “transigência” com governação angolana

José Manuel Pureza, dirigente do Bloco de Esquerda, diz que os partidos que vão ao congresso do MPLA “assumem a responsabilidade dessa escolha”. E não podem vir, depois, pedir liberdade de expressão em Angola.

(Nota: esta foto do José Manuel Pureza, não é a original do artigo. Tive de a colocar, porque a do artigo não aparece)

Por Bruno Simões – Jornal de Negócios

O Bloco de Esquerda não vai estar representado no congresso do MPLA, que começa esta quarta-feira em Luanda e decorre até ao próximo sábado. O dirigente José Manuel Pureza (na foto) diz ao Negócios que se trata de uma questão de “coerência”. E defende que a presença dos quatro partidos portugueses em Luanda, entre os quais o PS e o PCP, “parceiros” da geringonça, é um gesto que revela “transigência” com a governação angolana.

“Temos vindo a criticar de uma maneira aberta, clara e frontal a opressão que existe em Angola, e manifestado solidariedade por quem tem sido preso por ler livros e outras coisas perigosas desse tipo”, afirma, descrevendo Angola como um “Estado ditatorial” onde existe “falta de liberdade”. Por isso, “não faria qualquer tipo de sentido” que o Bloco de Esquerda marcasse presença no congresso – aliás, nem houve convite nesse sentido.

E os quatro partidos que vão lá estar – nomeadamente PS e PCP, mas também PSD e CDS? “Cada partido escolhe as alianças internacionais que quer fazer, mas depois não pode vir com o discurso da defesa da liberdade de expressão em casos como o do Luaty Beirão. Esse gesto revela transigência com a governação em Angola”, assinala Pureza. “Quem faz estas escolhas, quem prefere ter uma relação amiga com o MPLA é responsável por essa escolha”, nota.O ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas também vai ao congresso, tendo recebido um convite a título pessoal.

O congresso do MPLA terá lugar no Centro de Conferências de Belas, nos arredores da capital angolana, e terá como principal objectivo analisar os “desafios que se colocam aos angolanos e ao partido nos próximos tempos”, dedicando também “uma atenção muito particular ao momento que o país está a viver”, nomeadamente a nível económico, com a crise provocada pela queda dos preços do petróleo.

O presidente de Angola anunciou que vai deixar a liderança do país em 2018, pelo que este congresso poderá ser importante para perfilar o seu sucessor.

Fonte: Sabado.pt