IMPACTO Estudo teuto-brasileiro compara efeitos de CO2 com de desmatamento na Amazónia

O gás isolado tem mais potencial de danos do que o imaginado

Quando alguém pensa em alteração climática na Amazônia, provavelmente desmatamento é a causa que predomina no inconsciente coletivo. Recentemente, entretanto, um estudo põe a emissão de gases poluentes em pé de igualdade com o desmatamento no bioma. Fizeram parte da pesquisa o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Técnica de Munique. O artigo veio a público pela revista científica europeia Biogeosciences.

Uma expressão-chave para o foco do estudo foi o volume de chuvas na região amazônica. Por muitos anos, os demais estudos apontavam os impactos do desmatamento em massa sobre essa queda. A pesquisa é uma das pioneiras em analisar impactos isolados e fisiológicos da poluição excessiva de gás carbônico. A liberação do gás afeta 3% a mais no declínio desses níveis do que o próprio desflorestamento – responsável por 9% das reduções.

O excesso das emissões tem a ver também com um aumento de quase dois graus em sua temperatura natural. Tudo por conta da interrupção que o ar seco causa na transpiração da flora nativa.

É importante lembrar também que tais problemas chegam a alcançar o território de oito países latinos além do próprio Brasil. E os resultados destacam a responsabilidade tanto de países amazônicos e não-amazônicos  de mitigar potenciais mudanças climáticas no futuro. Uma vez que é consequência da atividade pecuária e correspondentes, derrubada de árvores e uso de fontes não-renováveis de energia.

A umidade do ar está directamente ligada à condução dos chamados estômatos – células que regulam carbono e água nas folhas. Porém o grande contingente de CO2 diminui em 26% a fisiologia dessa rede de condução, dando-se em menos 18% na transpiração.

De qualquer maneira, o aumento da concentração de CO2 é um processo global e todo planeta paga pato por isso. O combate à catástrofe iminente requer esforço orquestrado de todos os países, especialmente os que mais emitem gás carbônico.

“Não vai adiantar nada se nós não pararmos a emissão do carbono e o desmatamento, porque não existe atmosfera brasileira, a atmosfera é de todos os países, substâncias que são lançadas em países distantes rapidamente chegam aqui e também impactam as nossas florestas, então, se nós apostarmos em crédito de carbono, mas não tentarmos barrar as mudanças climáticas, não haverá crédito de carbono para vender, porque a floresta vai parar de absorver carbono na atmosfera” ressaltou David Montenegro Lapola, professor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, que liderou o estudo, em entrevista ao portal G1.

Mesmo que se encontrem parceiros suficientes para o chamado “mercado de carbono”, a floresta pode ainda assim não dar conta. As consequências de tudo já estão aí.

Fonte: ANDA

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