MEIO AMBIENTE Investir em preservação ambiental previne pandemias, revela estudo

Além de salvar vidas, investir na preservação ambiental tem custo menor do que o necessário para lidar com pandemias

Investir na preservação do meio ambiente é uma forma de prevenir pandemias. Um estudo publicado na revista Science mostrou que o caminho é reduzir o desmatamento e o tráfico de animais silvestres – práticas que batem recordes frequentes no Brasil.

Milhões de animais são traficados no Brasil todos os anos e a Amazónia é o epicentro do tráfico mundial das inúmeras espécies que são alvos dos traficantes. Os dados sobre desmatamento também são alarmantes. O sistema de alerta de desmatamento do INPE detectou 1.034 km quadrados de novas clareiras em junho de 2020, totalizando 9.564 km quadrados de redução de matas nos últimos 12 meses, o que representa um aumento de 89% desde 2019. Em uma carta, mais de 600 servidores do Ibama alertaram que o desmatamento na Amazónia pode crescer 28% em um ano.

O estudo, realizado por diversas instituições, apontou ainda que o valor investido para lidar com as consequências da pandemia de Covid-19 é superior ao que deveria ser gasto para proteger a natureza.

“Como o financiamento público em resposta à Covid-19 continua subindo, nossa análise sugere que os custos associados a esses esforços preventivos de protecção ao meio ambiente seriam substancialmente inferiores aos gastos económicos e de mortalidade para responder aos patógenos toda vez que eles surgirem”, dizem os pesquisadores.

A preservação mundial do meio ambiente custaria, segundo a pesquisa, 22 biliões de dólares. A pandemia, que ainda está longe de acabar, já custou 2,6 trilhões de dólares. Além da questão económica, vírus pandémicos trazem consigo a alta mortandade. No mundo, morreram mais de 600 mil pessoas contaminadas pelo coronavírus.

Com a redução do desmatamento e do tráfico, diminui-se o número de pessoas em contacto com animais que podem transmitir vírus fatais aos humanos. Os pesquisadores argumentam que dentre os focos de transmissões virais estão áreas que têm 25% da vegetação original destruída.

O estudo revelou que morcegos, prováveis transmissores do Ebola e do Sars CoV-2, voam até povoados após terem seu habitat destruído para a construção de estradas, a extracção de madeira e outras actividades humanas.

“A relação entre desmatamento e tráfico de animais silvestres e o surgimento de doenças emergentes é muito bem estabelecida. Mesmo assim, acções ambientais estão essencialmente fora da agenda de prevenção de pandemias. A boa notícia é que investir entre 22 e 31 biliões de dólares por ano em programas para monitorar e reduzir essas actividades pode diminuir substancialmente as chances de algo como a Covid-19 acontecer novamente”, disse ao G1 Mariana Vale, professora do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Mariana é a única pesquisadora brasileira envolvida no estudo. Além dela, participam pesquisadores de Harvard, Duke, Princeton, Rice, George Mason, Boston, Illinois, Wisconsin-Madison (EUA) e Duke Kunshan (China), além de organizações sem fins lucrativos, como a Conservation International, o Instituto Earth Innovation, a EcoHealth Alliance, o Safina Center e, ainda, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF do Quénia).

Fonte: Anda

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