NATUREZA EM EQUILÍBRIO Flores desabrocham sem a interferência humana e podem salvar abelhas da extinção

O isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus está permitindo que as taxas de poluição diminuam e que os animais voltem a transitar em liberdade em busca do seu habitat e de paz. Um desses primeiros exemplos aconteceu na Itália, quando cisnes e até mesmo um golfinho foram visto no canal de Veneza devido à despoluição das águas.

Mas não é só no mundo animal que as espécies respiram aliviadas, árvores, plantas e flores também estão se beneficiando da redução das acções antrópicas. Flores silvestres estão irrompendo em diversas do mundo, inclusive em meios urbanos. Além de encher as cidades de cor e beleza, elas também estão atraindo, ainda que timidamente, a presença de abelhas.

Visões otimistas acreditam que isso pode significar uma recuperação da população de abelhas, espécies ameaçada de extinção devido à pesticidas e à poluição atmosférica. As flores fornecem às abelhas néctar e pólen gratuitamente, enquanto as abelhas espalham novas sementes que ajudam fecundar outras plantas. O coronavírus mostrou que o mundo pode viver em perfeito equilíbrio sem a presença humana.

Segundo a organização Plantlife, muitas cidades dispõem de verbas para dizimar plantas silvestres em meio urbanos para não prejudicar construções ou não “sujar” as cidades. Com a contensão de recursos trazida pelo coronavírus, esses serviços foram paralisados e deram às flores a oportunidade de crescer em desabrochar em ruas desertas e isso é lindo.

A Plantlife afirma ainda que além de abelhas, o aumento no número de plantas também beneficia diversas outras espécies como borboletas, pássaros, morcegos e uma gama imensa de insectos que dependem naturalmente de plantas silvestres para sobreviver. A pandemia mostrou o quanto a acções humanas causam impacto directo em diversas espécies.

Abelhas

Apesar de ainda estar longe da extinção, a população de abelhas está diminuindo rapidamente, caindo incríveis 89% entre 2007 e 2016. A queda é preocupante, principalmente considerando que elas desempenham um papel fundamental na polinização das plantas do mundo.

Sem as abelhas, agricultores teriam dificuldade em produzir alimentos básicos, como frutas e legumes. Uma única colónia pode polinizar 300 milhões de plantas por dia. A espécie está sob ameaça em todos os países do mundo, mas principalmente nos Estados Unidos. Apenas no inverno passado, cerca de 40% das colónias morreram no país.

A principal razão é a perda de habitat, seja para a agricultura ou devido a urbanização. Mudanças climáticas e fertilizantes também são grandes fatores, assim como vírus (as abelhas não possuem defesas naturais contra).

Se elas desaparecessem por completo da face da Terra, provavelmente haveria um aumento considerável na fome do mundo, além da perda permanente de alguns alimentos, como o mel, algumas nozes e feijões. Os animais também sofreriam, sem as plantas polinizadas como fonte de alimento. Muitos medicamentos dependentes das plantas também não poderiam mais ser fabricados.

Algumas regiões estão se movendo para proteger os insectos. A Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos proibiu o uso de pesticidas ligados à exterminação das abelhas. A Europa adoptou medidas semelhantes.

Startups também estão tomando atitudes para ajudar. A SeedLabs, por exemplo, na Califórnia, criou um alimento especial para as abelhas, com probióticos para impulsionar o sistema imunológico delas.

Segundo o Daily Mail, pessoas também podem ajudar plantando flores ricas em pólen e néctar, não atacar as abelhas quando se aproximarem e educar as outras pessoas sobre a importância delas.

Fonte: ANDA

QUARENTENA Quarentena reduz poluição sonora nos oceanos e dá alívio aos animais marinhos

A paralisação das actividades humanas e a adopção de medidas de segurança que incluem o distanciamento social estão oferecendo alívio à natureza e aos animais. Registos em todo o mundo mostram espécies silvestres vagando por cidades desertas que outrora foram seus habitats e hoje são dominadas e ocupadas por seres humanos. O planeta está conseguindo respirar e os benefícios do fim das acções antrópicas podem ser sentido até mesmo nos oceanos.

Pesquisadores que examinam sinais sonoros subaquáticos em tempo real de observatórios do fundo do mar administrados pela Ocean Networks Canadá perto do porto de Vancouver encontraram uma queda significativa no som de baixa frequência associado a navios. Segundo David Barclay, especialista em oceanografia e professor da Universidade Dalhousie, a poluição sonora causa danos aos animais. “Sabemos que o ruído subaquático a essa frequência afeta os mamíferos marinhos”, disse.

E completa informando que os dados foram obtidos a partir de informações colectadas antes e após a pandemia: “Houve uma queda consistente no ruído desde 1º de Janeiro, o que representou uma alteração de quatro ou cinco decibéis no período até 1º de Abril”, disse ele. Os dados económicos do porto mostraram uma queda de cerca de 20% nas exportações e importações no mesmo período”, aponta o pesquisador, que sublinha como actividades económicas estão relacionadas com o impacto na natureza.

Para Michelle Fournet, acústica marítima da Universidade Cornell, a redução da poluição sonora possibilita que interações entre baleias sejam estudadas. “Estamos diante de um momento de verdade. Temos a oportunidade de ouvir – e essa oportunidade não aparecerá novamente em nossa vida. Temos uma geração de jubarte que nunca conheceram um oceano calmo. Espero que o que possamos ver seja uma oportunidade para as baleias terem mais conversa e uma conversa mais complexa”, disse.

Nathan Merchant, especialista em bioacústica no Centro de Ciências do Ambiente, Pescas e Aquicultura do governo do Reino Unido (Cefas) em Lowestoft, aponta que esse é o início de uma pesquisa promissora. “Veremos como o coronavírus está afectando o ruído subaquático em toda a Europa; portanto, este trabalho fora do Canadá será o primeiro de muitos. Temos esse experimento natural em andamento. É claro que é uma crise terrível, mas é melhor que analisemos os dados para descobrir que efeito está tendo”, concluiu.

Fonte: ANDA

EXPLORAÇÃO ANIMAL Seres humanos são os únicos responsáveis pela pandemia de Covid-19

“Nossas acções impactaram significativamente mais de três quartos da superfície terrestre da Terra”

Um artigo publicado pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas em Serviços de Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES, na sigla em inglês) aponta que os seres humanos são os únicos responsáveis pela pandemia de Covid-19 e alerta que as escolhas que fazemos hoje impactarão positivamente ou negativamente no futuro.

O estudo foi escrito pelos professores Josef Settele, Sandra Díaz, Eduardo Brondizio e Dr. Peter Daszak e aponta que pandemias recentes são uma consequência directa da actividade humana – particularmente nossos sistemas financeiros e económicos globais, baseados em um paradigma que valoriza o dinheiro a qualquer custo.

Segundo os pesquisadores: “Nossas acções impactaram significativamente mais de três quartos da superfície terrestre da Terra, destruíram mais de 85% das áreas húmidas e dedicaram mais de um terço de toda a terra e quase 75% da água doce disponível às lavouras e à produção animal”, afirmam.

E completam: “Desmatamento desenfreado, expansão descontrolada da agricultura, agricultura intensiva, mineração e desenvolvimento de infra-estrutura, bem como a exploração de espécies selvagens criaram uma ‘tempestade perfeita’ para a disseminação de doenças da vida selvagem para as pessoas”, salientam.

Eles abordam ainda a questão do tráfico de animais: “Acrescente a isso o comércio não regulamentado de animais silvestres e o crescimento explosivo das viagens aéreas globais e fica claro como um vírus que antes circulava inofensivamente entre uma espécie de morcego no sudeste da Ásia já infectou mais de 2 milhões de pessoas”.

Para os cientistas, estes dados deixam claro a “mão humana em emergências pandêmicas” e salientam que esse pode ser apenas o começo, pois existem mais de 1,7 milhões de vírus não identificados que podem ser transferidos de animais para seres humanos e ainda sofre mutações causando incontáveis doenças.

Luz no fim do túnel

Os cientistas acreditam que é preciso adotar três posturas para evitar novas pandemias. A primeira é adoptar regulamentações ambientais rígidas e investir em empresas sustentáveis. A segunda é adoptar a abordagem “uma saúde”, reconhecendo as complexas interconexões entre a saúde de pessoas, animais, plantas e nosso ambiente compartilhado.

Em terceiro e último, o cientistas sugerem maior capacitação e investimento nos sistemas de saúde de todo o mundo, pois a pandemia de Covid-19 deixou claro o despreparo para o controle da doença. Segundo os pesquisares, esse é o “investimento vital” que exige “reorganização fundamental em todo o sistema de factores tecnológicos, económicos e sociais, incluindo paradigmas, metas e valores, promovendo responsabilidades sociais e ambientais em todos os sectores”.

Fonte: ANDA