AVANÇO Vacina contra coronavírus é desenvolvida sem teste em animais

“Eu não acho que testá-la em um animal seja um caminho relevante para levar isso a um ensaio clínico”, argumentou o cientista Tal Zaks

Uma vacina experimental contra o coronavírus está sendo desenvolvida nos Estados Unidos sem a realização de testes em animais, de acordo com informações divulgadas esta semana pelo site norte-americano de notícias de saúde Statnews, que pertence ao grupo Boston Globe.

“Eu não acho que testá-la em um animal seja um caminho relevante para levar isso a um ensaio clínico”, argumentou o cientista Tal Zaks, diretor-médico da Moderna, uma empresa de biotecnologia, sediada em Cambridge, Massachusetts, encarregada de seleccionar 19 candidatos humanos para receber a vacina.

Enquanto a Moderna realiza esse trabalho, os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA trabalham em pesquisas não clínicas. Os primeiros voluntários que receberão a vacina começaram a ser recrutados na primeira semana de Março.

Segundo cientistas, a iniciativa de realizar testes em humanos na fase experimental também é justificada pela urgência da disseminação da doença, que já foi classificada internacionalmente como uma pandemia, considerando o seu impacto global.

Elsevier, testes em animais podem ser ineficazes

Um estudo divulgado em 2018 por um grupo de análise formado pela Elsevier, maior editora de literatura médica e científica do mundo, e pela Bayer, gigante do ramo farmacêutico, reconheceu que testes em animais podem ser ineficazes. O trabalho, intitulado “A big data approach to the concordance of the toxicity of pharmaceuticals in animals and humans”, que avaliou 1,6 milhão de reações adversas reportadas aos reguladores da União Europeia e dos Estados Unidos, foi publicado no Journal of Regulatory Toxicology and Pharmacology.

Os pesquisadores descobriram que testes em animais podem não garantir reações únicas relatadas em animais e em humanos. O estudo revelou que algumas das reacções em animais após os testes nunca haviam sido observadas em um ser humano, e vice-versa.

“Todas as empresas de ciências da vida desejam diminuir os testes em animais, e com a pressão contínua dos governos, sociedades e grupos de bem-estar animal, as organizações farmacêuticas estão explorando maneiras de fazer isso”, disse o diretor de serviços científicos da Elsevier, Matthew Clark a PharmaTimes.

No mundo todo, organizações, estados e países estão adoptando medidas para reduzir os testes em animais. Alguns estão indo além, lutando pelo banimento da prática, que já tem sido substituída por novas tecnologias que envolvem triagem de alta produtividade, modelos computacionais e chips baseados em cultura de células e tecido humano.

Fonte: ANDA

CRISE Relatório mostra impacto acelerado das mudanças climáticas

Trabalho documenta sinais físicos das mudanças climáticas — como aumento do calor da terra e do oceano, aceleração da elevação do nível do mar e derretimento do gelo

Um amplo relatório climático da ONU, divulgado nesta semana, mostra que a mudança climática está tendo um efeito importante em todos os aspectos do meio ambiente, bem como na saúde e bem-estar da população global.

O relatório, a “Declaração da OMM sobre o estado do clima global em 2019“, liderado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), contém dados fornecidos por uma extensa rede de parceiros.

O trabalho documenta sinais físicos das mudanças climáticas — como aumento do calor da terra e do oceano, aceleração da elevação do nível do mar e derretimento do gelo — e os efeitos indirectos em desenvolvimento socioeconómico, saúde humana, migração e deslocamento, segurança alimentar e nos ecossistemas terrestre e marítimo.

Mundo está “fora do caminho para limitar o aquecimento global”

No prefácio do relatório, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o mundo está actualmente “fora do caminho para limitar o aquecimento a 1,5°C ou 2°C, conforme exigido pelo Acordo de Paris”, referindo-se ao compromisso assumido pela comunidade internacional em 2015 para manter as temperaturas médias globais bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais.

Vários recordes de calor foram quebrados nos últimos anos e décadas: o relatório confirma que 2019 foi o segundo ano mais quente já registado e 2010-2019 foi a década mais quente já registada. Desde a década de 1980, cada década sucessiva tem sido mais quente do que qualquer década anterior desde 1850.

O ano mais quente até agora foi 2016, mas isso pode ser superado em breve, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. “Dado que os níveis de gases de efeito estufa continuam a aumentar, o aquecimento continuará. Uma previsão recente indica que um novo recorde anual de temperatura é provável nos próximos cinco anos. É uma questão de tempo”, acrescentou o secretário-geral da OMM.

Emissões cresceram no ano passado

Em entrevista ao UN News, Taalas disse que há um entendimento crescente em toda a sociedade, do sector financeiro aos jovens, de que a mudança climática é o problema número um que a humanidade está enfrentando hoje. “Portanto, existem muitos bons sinais de que começamos a avançar na direcção certa.”

“No ano passado, as emissões caíram nos países desenvolvidos, apesar da economia em crescimento. Por isso, mostramos que é possível separar o crescimento económico do crescimento das emissões. A má notícia é que, no restante do mundo, as emissões cresceram no ano passado. Então, se quisermos resolver esse problema, temos que ter todos os países a bordo.”

Taalas acrescentou que os países ainda não cumprem os compromissos assumidos na conferência climática da ONU em Paris em 2015, deixando o mundo actualmente a caminho de um aumento de temperatura de quatro a cinco graus até o final deste século. “Há claramente uma necessidade de níveis de ambição mais altos para levarmos a sério a mitigação climática.”

Fonte: ANDA