Mais de meia centena em manifestação pacífica contra touradas em Ponte de Lima

Mais de meia centena de pessoas que contestam as touradas manifestaram-se hoje em Ponte de Lima, próximo do local onde decorreu uma corrida de touros integrada no programa das Feiras Novas.

“Conseguimos juntar 57 pessoas. Consideramos que foi um sucesso. Conseguimos o que pretendíamos. Sensibilizar para a necessidade de se acabar com estes espetáculos bárbaros”, afirmou hoje à Lusa, a porta-voz do movimento cívico, Liliana Marques.

“Da nossa parte, a ação foi pacífica. Registaram-se algumas tentativas de provocação, mas a polícia ajudou imenso para que tudo corresse sem violência. A PSP foi fantástica. Conseguiu sempre controlar a situação”, acrescentou.

O protesto decorreu durante cerca de duas horas, junto à Expolima. Os ativistas empunharam pequenos cartazes e envergaram camisolas com as palavras de ordem, como por exemplo: “Vamos mudar a tradição, Ponte Lima sem touradas”.

Contactado pela Lusa, o segundo comandante da PSP, Raul Curva adiantou que “a iniciativa contou com a participação de mais de meia centena de manifestantes”.

O responsável acrescentou que “ocorreram algumas injúrias e foi identificada uma pessoa. Foi um protesto pacífico”.

O protesto começou cerca das 17:30. Os ativistas “começaram a desmobilizar cerca das 19:00”.

A ação foi convocada através das redes sociais, numa página criada para o efeito, intitulada “Ponte de Lima Sem Tauromaquia”.

Na publicação, o movimento cívico refere que Ponte de Lima “tem tradições e costumes que, em pleno século XXI, não fazem sentido algum, como maltratar animais para divertimento do ser humano”, apelando à participação de “todos os que são contra um ato bárbaro, doentio, psicopata e sádico” naquela concentração.

O espetáculo tauromáquico decorreu numa arena amovível instalada no recinto da Expolima, numa organização da Associação Concelhia das Feiras Novas, romaria que termina na segunda-feira.

As corridas de touros regressaram ao programa das Feiras Novas, em 2014, depois de oito anos de interregno.

Fonte: SAPO24

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CONTEÚDO ANDA Mulher se dedica à proteção de tartarugas ameaçadas em antiga zona de guerra

No Sul do Líbano, próxima à fronteira com Israel, existe uma residência laranja inconfundível

Localizada logo depois de um ponto de controle militar das Forças Armadas do país, na cidade mediterrânea de Tire, ela é cercada por bananais, cabras e pássaros. Este belo oásis é o lar de Mona Khalil, de 68 anos, uma autoproclamada protetora de tartaruga- marinhas.

Protetora observa tartaruga

Em 2000, Khalil se mudou da Holanda – onde havia procurado refúgio durante 17 anos durante a Guerra Civil Libanesa (1975-1990) – para uma propriedade de terra que herdou da avó.

Ao retornar, ela descobriu que as tartarugas verde e careta, que é classificada como uma espécie ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza, podem ser encontradas na remota praia de El Mansouri.

No mesmo ano, Khalil lançou o The Orange House Project para ajudar a proteger as tartarugas do Líbano. Ela pintou a residência de laranja para simbolizar o abrigo seguro que a Holanda lhe ofereceu.

“Este projeto era o meu sonho desde que eu era criança. Amei a praia e a terra aqui”, disse Khalil à CNN.

Ao longo de três anos, Khalil foi treinada por cientistas da Mediterranean Association to Save the Sea Turtles (MEDASSET), que visitaram a praia no Líbano.

Inicialmente, seus esforços não agradaram alguns residentes locais que praticavam a pesca de dinamite – a prática de usar explosivos para matar vários peixes.

De acordo com Michel Bariche, professor de biologia marinha na Universidade Americana de Beirute e autor de um livro sobre recursos marinhos no Mediterrâneo, a “pesca explosiva” ocorre no país desde pelo menos a década de 1930.

Tartarugas recém-nascidas

Embora seja ilegal, ainda acontece em algumas regiões remotas, explica. Khalil teve a ajuda de guardas-costeiros e diz que a pesca com dinamite não ocorre mais na região, o que ajudou os animais selvagens.

Entre os meses de Maio e Setembro, a estação de incubação das tartarugas, Khalil acorda ao nascer do sol para verificar seu habitat. Ela procura os ovos na praia cuidadosamente, colocando-os debaixo uma rede metálica segura.

Khalil detalha suas descobertas e rastreia as tartarugas adultas que colocam ovos nos bancos de areia. Ela apresentou os dados na conferência bienal da MEDASSET e os disponibiliza gratuitamente.

Voluntários também a ajudam a retirar plásticos e outros resíduos da praia.

Khalil vivenciou alguns momentos perigosos. Durante o violento conflito de 2006 entre o grupo militante libanês Hezbollah e Israel, ela permaneceu vigilante.

“Eu me recusei sair.. Era a temporada de incubação. Um dos foguetes entrou na casa e explodiu. Eu e os animais ficamos todos traumatizados e perdi um pouco da minha audição. Porém, ainda estou viva”, afirmou.

A luta foi muito mais agressiva do que Khalil esperava, mas ela ainda monitorava a praia e ajudava as tartarugas sempre que era possível. “Eu consegui proteger a maioria delas”, contou.

Mulher cuida dos ovos dos animais

Por incrível que pareça, naquele verão, a população de tartarugas prosperou. “Tivemos 82 ninhos, o número mais alto dentro de 1,4 km (o comprimento da praia). Foi porque moradores locais não estavam se divertindo na praia”, diz.

Desde 2000, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) acompanha a chamada “linha azul” que foi criada para confirmar a retirada das tropas israelenses no Sul do Líbano desde os dias da guerra civil. Por isso, viajantes estrangeiros devem ter permissão especial para entrar na região do exército libanês.

Entretanto, Khalil diz que as maiores ameaças a seu projeto e às tartarugas atualmente são projetos de construção que podem invadir a praia.

Ainda assim, ela permanece resiliente: “Vivo todos os dias ao máximo e não me preocupo com o futuro”, conclui.

Fonte: ANDA