PENSAMENTO DE UM COBARDE TAUROMÁQUICO

Dizem que sou cobarde.
Quero ver então, se o sou, ou não.

Quando enfrento o touro?
– Só enfrento o touro depois de ele já se encontrar com os chifres embolados, e bastante desgastado, física e psicologicamente.
– Não sou capaz de o enfrentar, quando ele está com os chifres intactos, e está bem, física e psicologamente. Em suma; não sou capaz de o enfrentar de igual para igual.
Tenho de o enfrentar a cavalo, e cravar-lhe farpas e ferros no lombo, ou a pé, onde também lhe irei espetar uma farpa no lombo.

Se eu fosse um homem, ou mulher, a sério, enfrentá-lo-ia sempre pé, e apenas com as minhas mãos, sem mais nada, para o enfrentar em pé de igualdade, e com o touro, com todas as suas faculdades físicas e psicológicas intactas, e no seu território, a natureza, o campo.

Então, pergunto-me; sou ou não cobarde?
– Sim, sou cobarde. Sem duvida alguma, que sou cobarde.
Tenho de ser honesto e sério, para comigo mesmo/a e reconhecer que o sou.

É desta forma que um psicopata tauromáquico pensa.
Guarda para ele/ela. Não o admite a ninguém. Fica guardado a sete chaves, dentro de si!

Mário Amorim

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