CONTEÚDO ANDA Sea Shepherd desiste da perseguição a navios baleeiros japoneses

Japão está investindo em tecnologia de ponta para impedir a ação de ativistas

Grupo luta há 12 anos para impedir caça de baleias na antártica

A organização Sea Sheperd foi pioneira e principal responsável pela divulgação dos crimes cometidos por navios baleeiros japoneses na região antártica.

O tema ganhou destaque internacional e o Japão foi acusado na Corte Internacional de Justiça de capturar mamíferos marinhos ameaçados de extinção.

No entanto, após 12 anos de intenso esforço para a proteção da fauna marinha, o grupo declarou não possuir mais condições e suporte para continuar suas atividades no combate a caça de baleias nesta temporada.

O capital Paul Watson denuncia que o Japão está investindo em tecnologia de ponta para impedir a ação de ativistas.

“Nós descobrimos que o Japão está empregando vigilância militar para observar os movimentos dos navios da Sea Shepherd em tempo real por satélite, e se eles sabem onde estão os nossos navios, podem escapar facilmente. Nós não podemos competir com a tecnologia militar usada por eles”, conta.

A luta do Sea Shepherd começou em 2005. A organização se engajou no combate a baleeiros japoneses que possuíam uma cota de 1.035 baleias, que incluía 50 jubartes e 50 baleias fins, ambas ameaçadas de extinção.

O grupo investiu recursos nesta empreitada e conseguiu que as embarcações japonesas retornassem para casa com cada vez menos vítimas.

“Os resultados falam por si. Mais de 6 mil baleias salvas. Nenhuma jubarte e apenas 10 baleias fins mortas em uma década. Além disso, os baleeiros japoneses perderam dezenas de milhões de dólares”, pondera Watson.

O capitão denuncia também que há um grande coluio japonês que envolve grandes empresas e o governo, que desenvolve estratégia e aprova medidas para facilitar a caça nos oceanos.

O programa japonês conseguiu estender a área de caça e enviou forças militares para a região com a suposta função de proteger o país de forças terroristas, mas que na verdade está protegendo baleeiros.

“Os baleeiros japoneses não apenas têm recursos e subsídios que seu governo podem fornecer, mas também têm o poder político por trás de uma superpotência econômica. A Sea Shepherd entretanto tem recursos limitados e nós enfrentamos governos hostis na Austrália, Nova Zelândia e nos EUA”, lamenta o capitão.

Futuro

Apesar de um porvir aparentemente pessimista, a organização afirma que isto não será o fim. “Se algo não está funcionando o único recurso é buscar por um plano melhor. Nós precisamos formular esse novo plano, e nós iremos”, afirma em um comunicado.

Fonte: ANDA

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MORTE DE TOUROS E TOUREIROS NAS ARENAS DEMONSTRA COMO ESTA PRÁTICA É CRUEL E IRRACIONAL

No meu caso, como sou pelo touro, sempre pelo touro, não fico triste, não fico contente, e nem com pena, sempre que um Psicopata tauromáquico fica ferido ou morre. Fico é indiferente.

O touro defende-se de quem é cruel com ele.
O touro, é obrigado a estar na arena de uma praça de touros.
E o Psicopata tauromáquico, enfrenta o touro, porque quer.
Por tanto; se fica ferido ou morre, foi bem feito. Foi o resultado da sua crueldade para com o touro!

Mário Amorim


Eu nem fico contente, nem triste, com a morte de um toureiro na arena. Não comemoro, mas também não choro. É-me indiferente. Quem ataca touros habilita-se a ser agredido, porque é dos animais, quer sejam humanos ou não humanos, defenderem-se instintivamente, quando são atacados.

Um toureiro ataca o Touro porque é sádico, psicopata. O Touro investe sobre o toureiro porque tem o direito de se defender do ataque do seu carrasco.

Por isso, lamentar que morte? A do Touro, obviamente, que não foi para arena por sua livre e espontânea vontade, e porque o Touro não é carrasco, nem cobarde, nem cruel.

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Num artigo intitulado «Mortes e feridos nas Praças de Touros» o professor açoriano Teófilo Braga aborda este tema, a propósito da morte do toureiro basco Iván Fandiño, de trinta e seis anos, no passado dia 17 de Junho, no sudoeste de França.

Refere o autor que Fandiño «matava touros, para divertimento de seres pouco humanos, desde os 14 anos de idade. O toureiro foi atingido pelo corno de um touro quando já estava no chão durante uma tourada em Aire-sur-l’Adour».

«De acordo com a agência de notícias EFE, no século XX, morreram 138 profissionais da tauromaquia devido a sofrimentos sofridos nas arenas.

A morte de toureiros não impressiona muito os adeptos da tauromaquia, pois para estes não há bela sem senão, isto é, não há beleza na tauromaquia se aqueles não colocarem em risco as suas vidas.

Os opositores das touradas não reagem de forma uniforme. Com efeito, se há alguns que se regozijam com as mortes, há outros que lamentam o facto e usam-no como um dos argumentos para combater as touradas.

Em relação ao número de mortes, Fernando Alvarez, doutor em biologia pela Universidade de Tulane (E.U.A.), autor do livro “La Verdade Sobre los Toros” não nega que não haja risco, mas considera-o muito baixo, pois os toureiros estão muito bem informados acerca dos handicaps físicos do touro, em termos de visão, que “não vê ou só vê um vulto entre meio metro e um metro de distância e que ataca sobretudo o que está mais perto e em movimento”.

O mesmo autor refere que os toureiros não têm qualquer razão para se vangloriarem dos seus pretensos feitos já que, segundo as estatísticas, muito maior risco correm as pessoas que trabalham nas minas, nos transportes e na construção civil”.

Não me incluo nos que ficam contentes quando alguém fica ferido ou morre numa tourada porque o que desejo é que não haja derramamento de sangue, nem abuso de animais, nem mortes nas praças ou nos matadouros, “às escondidas”, depois das touradas. Teófilo Braga (Correio dos Açores, 31305, 15 de agosto de 2017, p.8).

De acordo com a agência de notícias EFE, no século XX, morreram 138 profissionais da tauromaquia devido a sofrimentos sofridos nas arenas.

A morte de toureiros não impressiona muito os adeptos da tauromaquia, pois para estes não há bela sem senão, isto é, não há beleza na tauromaquia se aqueles não colocarem em risco as suas vidas.

Os opositores das touradas não reagem de forma uniforme. Com efeito, se há alguns que se regozijam com as mortes, há outros que lamentam o facto e usam-no como um dos argumentos para combater as touradas.

Em relação ao número de mortes, Fernando Alvarez, doutor em biologia pela Universidade de Tulane (E.U.A.), autor do livro “La Verdade Sobre los Toros” não nega que não haja risco, mas considera-o muito baixo, pois os toureiros estão muito bem informados acerca dos handicaps físicos do touro, em termos de visão, que “não vê ou só vê um vulto entre meio metro e um metro de distância e que ataca sobretudo o que está mais perto e em movimento”.

O mesmo autor refere que os toureiros não têm qualquer razão para se vangloriarem dos seus pretensos feitos já que, segundo as estatísticas, muito maior risco correm as pessoas que trabalham nas minas, nos transportes e na construção civil”.

Não me incluo nos que ficam contentes quando alguém fica ferido ou morre numa tourada porque o que desejo é que não haja derramamento de sangue, nem abuso de animais, nem mortes nas praças ou nos matadouros, “às escondidas”, depois das touradas» conclui Teófilo Braga.

(in Correio dos Açores, 31305, 15 de Agosto de 2017, p.8)

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1760480257299893&set=a.166480236699911.42193.100000138080317&type=3&theater

Fonte: Arco de Almedina

CHARANGA A CAVALO DA GNR (GUARDA NACIONAL REPUBLICANA) VAIADA PELA SUA PARTICIPAÇÃO NUMA ACTIVIDADE PRIVADA DE TORTURA DE ANIMAIS, VULGO TAUROMAQUIA

Aconteceu no campo pequeno (Lisboa) cidade que ainda não se libertou do atraso civilizacional em que está mergulhada.

«Por coisas assim é que a GNR não aceita queixas sobre maus tratos e até dá uma ajudinha em locais como Benavente…» (Ana Macedo)

Benavente… e não só…

Que autoridade?????

 

 

Assinem a petição:

Punição para os responsáveis pelos eventos ilegais nas festas de Benavente

 http://peticaopublica.com/psign.aspx?pi=PT86130&fref=gc

MENSAGENS NOBRES A TODOS QUANTOS PRATICAM, APLAUDEM, APOIAM E PROMOVEM A TAUROMAQUIA EM TODAS AS SUAS VERTENTES SÁDICAS E SELVÁTICAS

Porque a insanidade e o sadismo não fazem parte de uma sociedade que se quer saudável, limpa e humana, aqui deixo alguns elementos para reflexão, principalmente dos governantes, que teimam em manter uma lei completamente insana, onde a crueldade, a violência e a tortura de seres vivos são permitidas, unicamente para encher os bolsos de trogloditas e divertir “gente” com graves deformações mentais.

Isto não é da Civilização, nem da Cultura, nem da Humanidade.

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Por isso, nós, os anti-tourada, não nos calamos:

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Seja esse outro um ser humano ou um ser não humano. O sofrimento é o mesmo.

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E por fim, aquela máxima que, se todos os seres humanos seguissem, o Planeta Terra seria um verdadeiro Paraíso.

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Pensem nisto, senhores governantes, únicos culpados do caos social, cultural e educacional em que Portugal está mergulhado.

E vós, Portugueses, abri os olhos, e nas próximas eleições autárquicas penalizem quem tanto tem penalizado o nosso país.

Isabel A. Ferreira

Fonte: Arco de Almedina

CONTEÚDO ANDA Donald Trump dissolve comitê de análise de mudanças climáticas

Donald Trump dissolveu o Comitê Consultivo para a Avaliação Nacional Prolongada do Clima. O Comitê era composto por 15 especialistas que trabalhavam para ajudar os políticos a criarem um plano para combater as mudanças climáticas

A dissolução afeta muitas indústrias, incluindo engenheiros civis, que dependiam de suas orientações para criar infraestruturas muito dependentes de modelos climáticos.

Donald Trump

“Precisamos trabalhar na atualização dos nossos padrões com boas estimativas sobre como será o futuro do clima e do tempo extremos.  Acho que será um sério obstáculo para nós o fato de o Conselho Consultivo não ser funcional”, afirmou o engenheiro civil Richard Wright ao The Washington Post.

Em Janeiro, a administração de Trump removeu todas as menções sobre mudança climática do site da Casa Branca, informa a VegNews.

Depois de se retirar do Acordo de Paris, esse último movimento da administração distancia ainda mais os Estados Unidos da crescente crise ambiental criada por uma combinação de fatores, incluindo a pecuária, responsável por duas vezes mais emissões de gases de efeito estufa do que todo o setor de transporte, segundo as Nações Unidas.

O fim do comitê não afeta a publicação do seu próximo relatório quadrienal de Avaliação Nacional do Clima (NCA) (que será lançado na próxima primavera), que descreve as tendências das mudanças climáticas globais e prevê seus efeitos sobre a biodiversidade, a saúde humana, os sistemas sociais, os meios de transporte e a agricultura.

Fonte: ANDA

História simplesmente Maravilhosa e emocionante! CONTEÚDO ANDA Pássaro mostra diariamente sua gratidão à mulher que salvou sua vida

Dina Theissen encontrou Gracie deitado perto de uma árvore próxima à porta dianteira quando ele tinha apenas alguns dias de vida. Ele era tão pequeno que ela desconhecia à qual espécie de pássaro ele pertencia

Pássaro e filha de Dina Theissen

Após procurar aconselhamento de um centro de resgate de animais selvagens, ela deixou Gracie onde estava e esperou para ver se a mãe dele retornaria, mas isso nunca aconteceu. Sabendo que o gaio-azul provavelmente não sobreviveria se fosse deixado sozinho, Theissen e sua família receberam Gracie em sua casa.

A família decidiu manter Gracie no terraço enquanto ele crescia e se recuperava para que o pássaro pudesse se habituar à paisagem e aos sons do mundo ao seu redor antes de ser finalmente libertado novamente na natureza.

Conforme ele melhorava a cada dia, seu vínculo com a família também se fortalecia. Theissen, seu marido e sua filha passaram horas com Gracie, ajudando-o a aprender gradualmente a ser um pássaro. “Um vínculo indestrutível foi construído nesse terraço, a partir das infinitas horas que Gracie e eu passamos juntos”, disse Theissen ao The Dodo.

“Após algum tempo, eu o observei notando os insetos voando e nos tornamos uma ótima equipe para forragear. Foi incrível vê-lo obter êxito de uma forma tão notável. Eu era sua mãe em todos os sentidos”, acrescentou.

Depois de quatro semanas, a família tentou libertar Gracie na natureza, mas, inicialmente, ele não queria ir.

Pássaro e Dina

“Uma semana e meia depois, ele reuniu sua coragem, voou para a árvore e começou a explorar seu belo mundo. Não foi fácil para nós, mas esse era nosso objetivo final e sabíamos que era o melhor “, ressaltou Theissen.

Depois de cinco semanas e meia, Gracie finalmente estava na natureza – mas ele voltou para visitar a família no dia seguinte. Desde então, diariamente, há quase dois anos e meio, Gracie retorna ao local e brinca com a família que o salvou e criou.

Às vezes, o pássaro gosta de brincar com seus brinquedos antigos durante as visitas, como miçangas e lagartos de plástico e, em outras vezes, gosta de simplesmente empoleirar-se e chilrear, desfrutando da companhia de sua família.

Em algumas ocasiões, suas visitas duram apenas alguns minutos, pois Gracie é um pássaro muito curioso e ainda tem muito o que explorar no mundo. Porém, quando a tragédia atingiu a família, as visitas dele ficaram um pouco mais longas e eram muito mais importantes.

Depois que Theissen foi diagnosticado com câncer de ovário, Gracie ia vê-la e simplesmente se sentar com ela no momento em que ela mais precisava disso.

Pássaro na residência da família

Quando ela chegou após sua primeira cirurgia de emergência, Gracie voou pela porta dos fundos e foi até a cadeira de Theissen para lhe confortar, o que a ajudou a acreditar que tudo ficaria bem. Gracie ajudou a família inteira a permanecer positiva e esperançosa durante um período tão difícil e eles sempre serão extremamente agradecidos a ele por isso.

“Posso dizer honestamente que, sem a presença de Gracie durante esse período, as coisas teriam sido muito diferentes, emocionalmente para mim e até para Alyssa e Ken também. Ele nos ajudou de formas que uma pessoa só consegue sentir, mesmo que não sejam totalmente explicadas”, contou Theissen.

Felizmente, Theissen está em remissão, mas Gracie ainda retorna para ver a família todos os dias. Desde que foi resgatado, ele teve quatro ninhadas de filhotes, mas apesar de ter iniciado uma família, ele nunca esqueceu seus primeiros familiares. Ele deve sua vida a eles e agora simplesmente está retribuindo o favor, lembrando-os sempre o quanto significam para ele.

Fonte: ANDA

***

Esta história deixou-me maravilhado e emocionado.
Os animais não-humanos dão-nos lições incríveis!

Mário Amorim

 

 

 

CONTEÚDO ANDA Traficantes de drogas enriquecem com o comércio de marfim

Dias antes, um caminhão Mitsubishi branco, cujos documentos alegavam conter “equipamentos domésticos”, transportou mais de 300 presas de elefantes para o Norte da Ilha de Mombasa, longe dos hotéis e praias turísticas pelos quais a cidade é famosa.

Oficial com presa de marfim

A descoberta resultou em um dos maiores e mais importantes julgamentos de um traficante de marfim até hoje. Cinco pessoas foram presas, mas o principal suspeito, Feisal Mohamed Ali, desapareceu na capital queniana, Nairóbi, e depois na vizinha Tanzânia. A Interpol emitiu um mandado de prisão de crime ambiental e Ali finalmente foi encontrado em Dar es Salaam no final de Dezembro. Ele foi extraditado e acusado no Quênia na véspera de Natal.

O julgamento de Ali progrediu. As provas desapareceram, os juízes foram substituídos, os pedidos de fiança foram negados, consentidos, foram feitas apelações e anulações, requisições de pedidos de tratamento médico e ameaças de morte contra ativistas que assistiam ao julgamento. Em Julho de 2016, Ali foi finalmente condenado a 20 anos de prisão e a uma multa de 20 milhões de xelins (£ 146 mil) por posse de marfim.

O caso foi a prova do funcionamento de uma lei sobre animais selvagens aprovada há pouco tempo e mostrou que os traficantes capturados no Quênia não poderiam mais receber apenas multas insignificantes por seus crimes tratados anteriormente como triviais.

As organizações de proteção animal pressionaram o governo e impediram que o caso fosse esquecido, comemoram a condenação de Ali, assim como os defensores de animais selvagens que acompanharam tudo com grande  interesse. Porém, para outras pessoas – um grupo informal de investigadores que trabalham para expor as redes de tráfico de animais selvagens que operam impunemente em toda a África – isso foi apenas uma abertura bem-vinda para uma tarefa muito maior.

As redes por trás dos traficantes

“Não existem centenas de grupos envolvidos no tráfico de marfim – há apenas algumas redes que operam em toda a África “, diz Paula Kahumbu, especialista na proteção de elefantes e que dirige a Wildlife Direct, uma organização queniana que luta para acabar com o comércio de marfim e que observa casos como o de Alis.

Uma análise minuciosa dos casos – incluindo a realização de cópias de documentos judiciais e gravações de vídeo – mantém a honestidade dos tribunais e juízes e evita o desaparecimento de arquivos que muitas vezes resultam em julgamentos. A pressão da Wildlife Direct foi fundamental no caso de Ali.

“Foi uma grande surpresa. Todo queniano irá lhe contar: o que supostamente deve acontecer é que, se você pertence a uma organização criminosa forte, você está fora”, diz Ofir Drori, ativista israelense e co-fundador da Eagle Network, um grupo responsável pelo rastreamento de centenas de traficantes, grandes e pequenos, ao longo dos anos.

Foi o aspecto da organização criminosa que interessou Gretchen Peters. Ex-correspondente estrangeira no Afeganistão e no Paquistão, Peters ficou deslumbrada com as relações entre drogas e terrorismo que observou na operação de heroína do Talibã e pelas ligações ocultas entre outras formas de criminalidade. Ela abandonou o jornalismo e decidiu combater os crimes contra a vida selvagem.

Ativistas exigem justiça no julgamento de Feisal Mohamed Ali
Ativistas exigem justiça no julgamento de Feisal Mohamed Ali

Peters criou o Satao Project – homenagem a um dos elefantes do Tijor, no Quênia, morto pela flecha envenenada de um caçador em 2014 – para investigar as gangues criminosas em 2015, mas rapidamente descobriu o problema estrutural: a corrupção. “Se existe uma rede que transporta mercadorias ilegais de um país para outro, há inevitavelmente funcionários do governo envolvidos, protegendo-os ou ignorando isso. É impossível que isso não esteja acontecendo”, destaca.

Contratada pelo departamento estatal dos EUA, Peters começou a estudar redes de fornecimento de marfim na Tanzânia e no Quênia, mas suas investigações rapidamente envolveram o Uganda e se disseminaram para outras formas de tráfico. Segundo ela, existe na África Oriental “um ecossistema regional de movimentação de marfim, drogas e armas, uma matriz de diferentes organizações que colaboram para transportar bens ilegais ao longo da costa da Swahili”.

A coincidência entre drogas e tráfico de marfim não a surpreendeu. “Não tenho conhecimento de nenhuma organização traficante de marfim transnacionalmente que está apenas transportando marfim”, diz.

Nenhuma mercadoria ilícita é tão rentável quanto as drogas. “Quando você se aproxima dos traficantes, eles também estão inevitavelmente transportando narcóticos”, acrescenta.

Outros pesquisadores chegaram à mesma conclusão. Ali é o maior traficante de marfim preso na África Oriental, mas os investigadores dizem que ele responde a outras pessoas. “Feisal [Ali] não é um protagonista: ele é um soldado, um empregado”, observa Drori.

Peters começou a relacionar Ali à organização criminosa de narcóticos com o qual acreditava que ele estava envolvido. Uma das principais provas no julgamento foi o registro de telefones celulares de Ali, revelou a reportagem do The Guardian.

Entre os números que Ali discou estava o de um homem que os investigadores encontraram antes, em outro caso em Mombasa, sobre a rede Akasha, uma família criminosa supostamente dirigida por dois irmãos, extraditada para os EUA para ser acusada de tráfico de drogas no início deste ano. Para Peters e outras pessoas, isso foi crucial.

Enquanto os agentes da US Drug Drug Enforcement Administration (DEA) e da Unidade Anti-Narcóticos do Quênia concentraram-se na operação de heroína da rede Akasha, grupos de proteção animal, incluindo o Wildlife Direct, se detiveram sobre o comércio de marfim e Peters trabalhou para mostrar a ligação entre ambos. “Nossa investigação incluiu entrevistas com dezenas de fontes com conhecimento sobre a rede Akasha e o tráfico de marfim, incluindo membros da comunidade criminosa e agentes de aplicação da lei”, explica.

Desde 2013 até hoje, Peters acredita ter relacionado 13 operações de descoberta de marfim com a rede Akasha, com um peso combinado de cerca de 30 toneladas. Como as autoridades interceptam apenas uma fração do marfim traficado, o verdadeiro número provavelmente será muito maior, o que significa que a rede sediada em Mombasa pode ter sido responsável pelo tráfico de uma grande parte do marfim da África Oriental.

O biólogo Samuel Wasser, da Universidade de Washington em Seattle (EUA), chegou a conclusões similares sobre o papel fundamental do comércio de marfim em um grupo muito pequeno de organizações criminosas.

Na década de 1990, ele desenvolveu um mapa genético de elefantes da África utilizando amostras de DNA que permitem que as presas encontradas sejam rastreadas até suas populações originais, o que permite uma visualização geral da indústria do tráfico de marfim.

Mais recentemente, ele começou o que denominou de “correspondência de amostras” – buscando pares de presas – e descobriu que, na maior parte dos casos, as presas de um elefante são divididas entre diferentes remessas. “Identificamos um grande número de casos em que as duas presas estava em descobertas sucessivas, enviadas por meio de um porto em comum, em período de tempo próximo, sinalizando que o mesmo traficante embalou ambas as remessas”, diz Wasser.

Sua pesquisa concluiu que pode haver apenas três grandes redes de tráfico na África, executando suas operações fora de Entebbe, na Uganda, em Lomé, no Togo, e em Mombasa. No caso da rede Mombasa, a Wasser relacionou até agora sete descobertas de mais de 1,5 toneladas desde o final de 2011 e rastreou a maior parte do marfim até a África Oriental.

Outras evidências do envolvimento da rede de crimes contra a vida selvagem foram colocadas em pilhas de gravações realizadas por fontes da DEA. Entre as transcrições, foi realizada uma em 25 de Abril de 2014, na qual Ibrahim Akasha, o mais jovem dos irmãos, discute o comércio de marfim: “Tenho marfim de Botswana aqui, de Moçambique, de todo o mundo. Tenho muito aqui e isso vende. Tenho marfim, chifre de rinoceronte”, disse ele em árabe.

Um container com marfim no Quênia em 2013
Container com marfim no Quênia em 2013

Foram necessários mais de dois anos para garantir a extradição de Baktash e Ibrahim Akasha para os EUA. As prisões foram o ponto máximo de uma investigação de oito meses, mas o caso da extradição posterior não ocorreu bem devido a objeções legais, ausência de juízes e de um intérprete que se recusou a comparecer ao tribunal depois de ser ameaçado. Mesmo em circunstâncias normais, os tribunais do Quênia são reconhecidamente lentos: em média, são precisos quase dois anos para que um caso criminal seja ouvido e há o acúmulo de dezenas de milhares deles.

Mas, no final de Janeiro deste ano e para a surpresa de todos os envolvidos, o governo queniano interveio e autorizou a extradição imediata dos irmãos Akasha e dos outros dois acusados. “Eles são como a máfia nos Estados Unidos. Você tem uma família que é uma organização criminosa, não são apenas drogas, é multifacetado e o marfim é apenas um dos seus produtos que rendem lucro”, observa o agente especial da DEA, Tommy Cindric, que liderou a investigação Akasha.

Quando o processo judicial ocorrer em Nova York (EUA), provavelmente no próximo ano, os quatro enfrentarão apenas acusações relacionadas ao tráfico de drogas. A DEA decidiu prosseguir com uma acusação unicamente relacionada ao tráfico de narcóticos, mas Cindric afirma que o vínculo da investigação com crime contra vida selvagem contribuiu para possibilitar a extradição.

Outro funcionário da administração dos EUA declarou que a conexão do marfim feita por Peters ajudou a aumentar a conscientização do governo queniano. Para Kahumbu, a revelação das ligações criminosas é fundamental. “A exposição da relação de Ali com os Akashas fez com que tribunais e policiais levassem esses casos com mais seriedade. Isso nos deixa muito mais confiantes, em ir atrás do crime contra a vida selvagem, para poder dizer que eles estão envolvidos com outras formas de criminalidade”, destaca.

Existem outras organizações que fazem um trabalho similar. A Satao, Drori e Eagle trabalham em toda a África. O grupo de combate ao tráfico Freeland colabora com a Lusaka Agreement Task Force na África. A Wildlife Justice Commission obteve sucesso contra traficantes de chifres de rinocerontes na África do Sul e a Fundação PAMS trabalhou com as autoridades da Tanzânia para capturar a chinesa Yang Fenglan, denominada “Rainha do Marfim”, acusada do tráfico mais de 700 presas da Tanzânia para o Extremo Oriente.

Fonte: ANDA