CONTEÚDO ANDA Sobrevivência de milhares de orangotangos é ameaçada por indústria de óleo de palma

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Desde que a indústria de óleo de palma iniciou sua expansão em escala industrial no Sudeste Asiático, ela tem sido pressionada por ativistas ambientais e ONGs por seus impactos negativos.

Essa crítica é plausível porque muitas empresas de óleo de palma foram estabelecidas por meio do desmatamento que substituiu áreas florestais por plantações de palma. As perdas de biodiversidade são massivas.

Para ajudar a reduzir os impactos ambientais da indústria, critérios para o óleo de palma sustentável foi desenvolvida, pela Mesa Redonda de Óleo de Palma Sustentável (RSPO), uma plataforma de definição de padrões de múltiplos atores.

Muitos questionaram a capacidade da RSPO de reduzir os impactos ambientais e sociais do desenvolvimento do óleo de  palma, mas existem poucos estudos quantitativos para fundamentar essas críticas. Um novo estudo analisa como reduzir a perda de florestas e habitats de orangotangos em Bornéu, na Indonésia.

Em um estudo coordenado pelo Borneo Futures e financiado pela Wilmar International, foram mapeadas 2717 propriedades e concessões de palmeiras em Bornéu, das quais 80% estavam em atividade em 2016.

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Para cada área, foi determinada a presença ou inexistência de orangotangos, qual a tendência da população de animais desde 1999, o nível de desmatamento entre 2000 e 2015 e se as empresas foram certificadas com RSPO ou não.

A área total das propriedades e concessões mapeadas foi de 13,3 milhões de hectares em 2015 ou 17,1% da área terrestre Bornéu.Do total da região mapeada, 34,1% foi usado para plantações de óleo de palma, 21,2% ainda possui florestas e o restante foi utilizado para outros fins (agricultura, mineração etc), segundo dados divulgados pelo Mongabay.

A perda total de floresta intacta e explorada entre 2000 e 2015 em unidades de manejo certificadas pelo RSPO foi de 73.559 hectares (ou seja, 9% da área total de concessões). Desse total, 49.030 hectares foram perdidos após novembro de 2005 ou cerca de 0,6% da área total certificada pelo RSPO a cada ano.

Já nas áreas usadas pela indústria de óleo de palma que  não tinham certificado RSPO , em 2016, a perda foi de 1.748.123 hectares ou aproximadamente 25 vezes mais do que das florestas com RSPO. Desse total, 1.453.928 hectares foram devastados após novembro de 2005, ou seja, 1,5% da área total por ano.

Em 2014, existiam 275 orangotangos em 32 unidades de gestão certificadas e cerca de 9.300 orangotangos em 529 áreas sem certificado. Entre 1999 e 2014, as populações de orangotango em áreas que agora são certificadas diminuíram de 419 para 275.

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No mesmo período, as populações da espécie em locais não certificados diminuíram de 13.480 para 9.302. Isso sugere que a perda absoluta de orangotangos é significativamente menor nas concessões de RSPO em Bornéu do que em outras propriedades e concessões. Porém, as taxas de perda relativa são praticamente as mesmas.

Atualmente, há 10 mil orangotangos em áreas usadas para plantações de óleo de palma. Isso faz com que o potencial de resultados desastrosos para estes animais seja significativo. A continuidade da indústria levará ao desmatamento e provavelmente à morte desses animais protegidos.

O resgate dos 10 mil primatas não só é logisticamente impossível, como também incorrerá em custos estimados em uma variação entre US$ 100 e 200 milhões.

Só é possível impedir a morte destes orangotangos se o governo esclarecer que a destruição de habitats de espécies protegidas e o assassinato destes animais é ilegal e será punido. Além disso, é preciso que as 561 empresas de óleo de palma se responsabilizem pela proteção dos habitats restantes de orangotangos e ONGs e outros grupos trabalhem com essas companhias para facilitar a implementação de práticas de proteção eficazes.

Segundo Erik Meijaard, coordenador do Borneo Futures initiative e autor da pesquisa, há margem para melhorias nas práticas ambientais nas propriedades e concessões certificadas, mas os orangotangos têm melhores perspectivas nas unidades de manejo de propriedade dos membros do RSPO, onde as perdas florestais são menores.

Fonte: ANDA

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